quarta-feira, 6 de abril de 2011

Telefonema

Alô amigo!
Desculpe a conversa pouca
e fiada
Desculpe o pouco tempo,
os maus adjetivos
E se não falo do nosso glorioso passado.
Desculpe se não dou atenção ao que você diz,
se não reclamo desta vida atoa que vivemos.
Não quero perguntar nada,
nem saber mais do que as horas que passam.
Desculpe este papo furado.
Desculpe o “como vai” apressado
E se não participo de tua nova angústia
Na verdade não sei o que dizer,
eu nunca soube,
Mas isso você já sabe.
Desculpe minha cabeça voando,
Esta falta de assunto
E se falo alto, cantando,
Mas acontece coisa rara aqui dentro de meu peito,
meu velho amigo:
Estou feliz.
E tenho muito medo disto

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu, narciso


Conversando com meu filho Jeremias hoje, pela madrugada, sobre namoricos e outras dificuldades de um jovem adolescente de quase 13 anos, me deparei com o fato de, assim como eu na sua idade, estar na mesma cidade e, guardada as proporções que o tempo impõem, a mesma insegurança ao trafegar por caminhos desconhecidos.
Lembro-me que naquela época, como agora, eu gostava de ter uma pessoa ao meu lado. Eu gostava de gostar e sonhava sofrer um grande amor. Sofrer. É claro que eu pensava em algum tipo de sacanagem mas, não tenho certeza de que era o mais importante.
Quando eu namorava eu me achava bonito e feliz. Essa era a diferença. E, pra falar a verdade, ainda hoje essa é a diferença,
Vendo essa foto, atualizada no dia da posse dos deputados do Estado de São Paulo, penso que estou lindo porém, muito pouco amado.
As coisas mudam. Mas a realidade é que me sinto muito só.
Ao ser perguntado sobre qual seria a dificuldade para que meus sonhos realizassem, pasmado verifiquei que a grande dificuldade é não ter sonhos. Isto é o fim, final.

Somos São Paulo

Vaganbudeio pela cidade de bar em bar
Estou só em São Paulo
São Paulo nunca consegue ser simpática

Atravesso as ruas com muito cuidado
Todos se atropelam pelos caminhos
Sei que não conheço quase ninguém para dizer: alô!

Sei que eles são apressados e se atropelam
Estou sozinho em São Paulo, com muito receio
Andando por aqui e ali

Sem rumo

Enquanto meus olhos procuram estrelas no céu
Passam dias e noites e é inverno
As pessoas se amontoam "desordaniariamente"

Um cara é detido por um grupo policial,
Ele parece triste e cansado
É bom estar, pelo menos, vivo

É, eu sei

É bom viver em paz todos os dias,
Todos os anos
É, isto eu também sei,

Mas o rapaz parece muito triste
E meus olhos procuram estrelas no céu

Eu não vejo rostos bonitos de se olhar
não sei de caminhos
Apenas estou aqui e não sei grande coisa

Grama cinza,
Olhos ardendo,
Céu carregado.

Deus abençoai o sofrimento e a esperança oculta.
Estou aqui para dizer sim e mal consigo falar,
Mas continuo procurando estrelas no céu

Coisas Banais

Impertinentes retoques na imaginação
criam poeira e poemas que me levam
a ver a banalidade do tempo e do espaço.
Isto me conforta. isto me intriga.
Olho através do vidro sujo da janela:
O sol escaldante paralisa a paisagem
Há lixo na estrada e na mente humana
No rosto das pessoas: uma sonora covardia
Medos disfarçados em histórias críveis.
Em cada parte de seus corpos:
espalha o veneno mortal do desânimo
As entranhas do cérebro: ressequidas e exaustas
dizem não!
Viro meu olho pro espelho
E o espelho não mente:
Quarenta anos: nenhum problema resolvido
ou sequer proposto.
Você ainda me quer vivo?
Se você soubesse como me sinto velho!
Eu um rapaz ordinário latino-americano
que às vezes vivo de fazer poemas
inúteis.
Reuno as forças que me restam para a batalha final
A tarefa a ser feita exige a consumação de uma vida inteira
e toda vida, mesmo curta é sempre demasiadamente longa.
o conforto vem no conhecimento de que apesar de tudo,
tudo vai bem.
apesar de nada. nada acontece de tão ruim
que não possamos suportar. em visões psicodélicas,
em plena Champs Elisè,
O sufoco brilhante de cores atordoantes
do arrancar de dentes.
O sangue escorrendo por entre meus dedos
estou quase banguela e careca de saber:
preciso me cuidar. preciso mudar. preciso amar
O que há em mim é sobretudo cansaço.
e um ar sufocante ao meu redor.
Entretanto de tudo o que eu vi e vivi
resta-me o saber que todas as peregrinações
são úteis e inúteis ao mesmo tempo
e que a vida é uma das múltiplas aventuras
que é dado ao homem conhecer

Peço desculpas ao meu coração por causar tanta dor

domingo, 13 de março de 2011

Caminho Suave

Abro o meu baú de recordações e sinto o cheiro da cartilha Caminho Suave. Nossa.... Meu primeiro dia na escola. Aquela vontade louca de participar de conhecer mais. Mas isto faz muito tempo sobre o sol penetrante de Inubyork.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Capoeira de Lucélia em Inúbia

Eu estava querendo saber como inserir vídeos na minha página. Achei. Uso isso só para testar. Depois vou deletar. Portanto se você gostou, deleite logo com o que existe. Amanhã pode ser o Armagedon ou em linguagem Net: a "deletação" do mundo.

Eu me identifico

Eu me identifico com a cultura de Inúbia Paulista. Eu me identifico com mulheres lindas. Com aquelas que são feias (elas no dão em dobro). Com a felicidade. Com um bom jogo de futebol. Com os filmes de Bunuel, Pasoline, Felini, Robert Rodrigues e tudo que é bom. A Hora e a vez de Roberto Santos (ninguém fala dele. Isto eu não entendo.). Eu me identifico com muitas coisas. Vou aos poucos falando de cada uma.

É assim

Hoje acordei com a sensação de estar perdendo o grande show da vida. Não tive dúvida, abri a porta da minha imaginação e voei. Aquela viagem não pode conter o NÃO. Porém descubro, com certo espanto, que posso muitas coisas. Escrever nesse blog, que ninguém lê, por sinal, é muito bom. Eu não tenho "papas" nos dedos, nem na língua e muito menos na imaginação. Já a língua portuguesa terá sempre que me desculpar. Ainda não sei o que fazer com tantas opções de palavras e significados.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tudo tem um começo

Ando meio desligado que nem sinto meus pés no chão. Sem querer saber do certo e muito menos do errado, vou tateando pelo mundo à busca da poesia no óbvio. Deus é bom. Quero e espero que meus poucos amigos estejam bem. Para aqueles que passaram por mim e hoje estão a deriva, que se cuidem para não cair. O baque dos esquecidos e daqueles que abandonam é muito maior do que a felicidade de uma criança diante de um sorvete. Absorvo o dia ensolarado de Inúbyork e vejo estrelas em pleno meio dia. As janelas sujam do meu quarto me dão a visão exata do mundo, logo ali, distante.
E começo o recomeço. E vejo luz no início do fim de uma vida plena de glórias inúteis. Portanto bom dia. Afinal em tempos ruins todos nós damos bom dia. Aos cavalos.